sexta-feira, 6 de maio de 2016

HOMENAGEM AS MÃES!!!!

MÃES PRETAS

Mães pretas
Têm útero sagrado
Mães pretas
Geram ancestrais
Mães pretas
São banhadas e regidas pela ancestralidade
Mães pretas
São únicas
Mães pretas
Acalentam suas crias no útero
E quando nascem vêm com a força de lá
Mães pretas
Têm a força de África
Carregam espíritos e divindades em seu útero
O dia do parto é dia de festa
É união de mãe e filho para chegarem ao mundo
Uma luta linda e única regida sempre por um ancestre
Mães pretas nunca estão sozinhas
Vivem em comunidade
Vivem em quilombos
Mães pretas
Têm um universo dentro de si
E doam esse universo a sua cria ao aleitar
Mães pretas
Têm a força das águas a seu favor
Elas passam todos os obstáculos em silêncio,
Pois o que importa é sua cria, é parte de si e de outrem nesse mundo
É sua contribuição nesta Terra
Mães pretas
São leoas, são doces; são duras, são amáveis
São exatamente o que têm que ser...
...Mães pretas

Elaine Marcelina
Rio de Janeiro, 21/03/2016




sexta-feira, 22 de abril de 2016

DÁ SÉRIE: NEGRAS RAÍZES


MEU CABELO MINHA IDENTIDADE

 

Um longo caminho trilhado até meus dreds atuais. Vamos às lembranças mais duras da vida de uma criança negra, neste caso sobre o cabelo, pois são muitas as nossas dores. Minha primeira lembrança eu ouvia minhas tias dizerem “Ivone passa alguma coisa no cabelo dessa menina, cabelo vermelho, de fogo” minha mãe dizia “vou trançar” ai vinham as trancinhas e minha mãe colocava umas bolinhas para enfeitar, fazer tranças doía, mas eu gostava porque como eu não morava com minha mãe, era a forma que eu tinha de ficar perto dela. Fui crescendo assim, entre uma trança e outra, feita nos fins de semana que ia para a casa da minha mãe. Nesta época tinha um programa de TV chamado “Os batutinhas” e nele tinha uma menina negra, e o nome dela era “Jovita” e os vizinhos passaram a me chamar de Jovita, eu na época não entendia porque, hoje entendo perfeitamente. Passada está época aos 10 anos fui morar com minha mãe e minha mãe era empregada doméstica, mas nos fins de semana ganhava dinheiro fazendo cabelo em casa, foi quando conheci o pente quente e o Marcel. Era um dia de sofrimento, primeiro eu passava o henê, era igual a um creme preto, passava no cabelo e deixava secar, ficavam horas, depois tirava e passava a massagem, mais um tempo, depois enrolava os bobs deixava secar e penteava isso durava o dia todo. E aí quando não enrolava com os bobs, deixava secar e minha mãe passava o pente quente, uma verdadeira tortura, era um pente de ferro e esquentava ele no fogão, quando ele estava bem quente, minha pegava um paninho, esfregava o ferro que estava em brasa e passava no cabelo e muitas vezes queimava a testa, eu gritava ai! Ela dizia “quer ficar bonita? Tem que sofrer?” Depois do ferro vinha o Marcel, para modelar, era uma espécie de tesoura de ferro e esquentava também no fogo. E por vezes o ferro ou o Marcel muito quente queimava o cabelo a ponto de cair e o pior era quando minha mãe dizia “Fica quieta agora é a vez dos parentes” era quando pegava na raiz do cabelo, muito sofrimento.
Passada essa época veio os alisamentos, pastas, ia fazer no salão de beleza, meu deus Porque nunca deixaram meu cabelo em paz? Alisava e lavava, porque a pasta queimava, alisava, colocava bobs e depois ficava no secador, uma hora, saia dali linda, mas no dia seguinte o couro cabeludo começava a minar uma água, eram as queimaduras da pasta, criava uma crosta quando secava. E daqui a uns dois meses tudo de novo. Quanto sofrimento.
Cresci e começaram os alisamentos importados, e as escovas para nosso cabelo, e nem todo mundo sabia fazer, e aí mais sofrimento.
Passado tudo isso comecei a usar tranças variadas e minha mãe dizia “tira essa trocha da cabeça, alisa esse cabelo, seu cabelo era tão lindo alisado” eu retrucava mãe gosto das tranças e quando tive minha filha, deixei o cabelo dela crescer natural e quando ela tinha uns quatro anos, pediu para fazer tranças iguais as minhas, minha mãe quase surtou. “Vai fazer essa trocha no cabelo? Igual da sua mãe?” Minha filha não sabia o que dizer, mas queria ser igual à mãe. E agora enegreci de vez, fiz os tão sonhados dreds, eu amo o crescimento deles, me vejo no espelho e amo minhas raízes, mas minhas raízes incomodam o outro, todo dia tem alguém que diz “você fica bonita com cabelo cacheado” ou “corta esse cabelo”, “faz relaxamento”. Enfim ainda não conseguiram deixar meu cabelo em paz, embora agora eu esteja totalmente em paz comigo e com minhas raízes, com meu cabelo e com minha identidade.
Elaine Marcelina

Rio, 10/12/2015

MUDANDO O RUMO DA PROSA


Ontem eu comecei uma reflexão que está sendo muito doida, estou mexendo e remexendo no meu “eu”, minhas atitudes, e entre uma neurose ou outra, entre uma justificativa e uma pergunta, nenhuma resposta até agora, somente a certeza de que estamos nesse mundo para ser feliz e para isso temos que ouvir nosso coração, nossa voz interior e seguir as pistas, sem titubear. Estou bem no meio de minha própria caixa de pandora, do meu triangulo das bermudas interno, a caixa quando abro sai é coisa, nossa! Nem eu tinha noção que tinha tudo isso dentro de mim. E aí fico perdida, mas na tentativa de me encontrar, me reconectar com o sagrado, com a mulher que sempre desejei ser e neste momento da vida percebo que estou muito distante dela, mesmo sabendo que ao longo de minhas quarenta e duas primaveras o que tenho feito é tentar encontrar um norte, um lugar no qual eu possa respirar, ouvir os pássaros e escrever, escrever, apagar, e tornar a escrever. Vou seguindo meus dias na certeza de que a cada amanhecer tento ver o brilho do sol, conversar com ele, ouvir seus conselhos, senti o vento e as mensagens que ele trás, ver as batidas das ondas e ficar ali contemplando, até que a brisa do mar me diga algo que intui, mas não tenho bem certeza se é intuição ou meu coração, ver a lua iluminando tudo e meus pensamentos a vagar, sempre procurando respostas, sei que não virão prontas, virão sempre como enigmas, como um quebra cabeça, e vou montando, tentando decifrar e é assim que tentarei mudar o rumo da prosa.

Elaine Marcelina

Rio, 10/12/2015

Receita da felicidade

RECEITA DA FELICIDADE Ingredientes: 100 gramas de alegria 150 gramas de amor puro 500 gramas de bom humor 200 gramas de energia ...