A ideia de ouvir mulheres veio de observar a luta da minha mãe para criar cinco filhos sendo doméstica, quando eu era criança, pensava em como minha mãe conseguia fazer tudo aquilo, e depois que cresci, fui entender o universo das mulheres e principalmente das mulheres negras, pois fui embalada por mulheres negras, ouço o assovio de minha avó natalina até hoje, ela já se foi, mas me marcou e sigo seus ensinamentos até hoje e foi assim que nasceu esse projeto.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
ACABOU, VÁ EM PAZ...
Está é a sensação, a emoção, as
últimas palavras quando se joga o último torrão de terra em cima do caixão.
Desta vez foi o sepultamento de Luiz Carlos das Neves, o homem que conheci como
pai, o segundo companheiro de minha mãe. Durante o velório passou um filme em
minha cabeça, esta foi a família que conheci, que me educou, que me deu a base
e a sustentação que tenho hoje.
Quando eu tinha menos de três anos
de idade, minha mãe foi morar com ele, quando completei três anos, a Luciene
nasceu no mesmo dia que eu, seis de setembro, agora éramos duas, a partir daí o
que me contam, é que ele quando brigava com minha mãe, colocava Luciene ainda
um bebê no cesto e eu ele segurava pela mão e ia embora nos levando para a casa
da minha avó, antes da Luciene completar um ano nasceu o Wilson e quando o
Wilson tinha vinte e sete dias de nascido, bum, acabou o relacionamento e
ficamos nós três na casa da minha avó, com o Luiz Carlos, este pai que Deus me
deu e hoje se foi, minha sensação era de perda, perda de uma história, de uma
vida, pois não sei que destino eu teria se ele não me levasse junto com a
Luciene para a casa dele, o que sei é que eu cresci com um pai, só depois fui
entender a confusão dos mais velhos, da vida, mas no momento em que precisei e
me entendi por gente eu tinha um pai e conforme eu cresci, ele se orgulhava de
dizer, minha filha é assim, é assado. Pai sei que nos últimos anos fui uma
filha ausente, mas jamais esqueci o que fez por mim, desculpe se nem sempre eu
estava lá, sei que antes de morrer você queria falar comigo, tentei te ligar,
mas já era tarde, porém sei que as lições que aprendi foram com o senhor, com a
avó Natalina, a tia Carmem, a tia Sheila, o tio Neio, até mesmo a tia Marisa,
sabe lembro até da Nair aquela mulher que o senhor teve depois da minha mãe,
nós íamos na casa dela, o Wilson chorava muito, ele era pequeno e ficávamos
felizes de passear, onde quer que esteja, saiba que sua filha emprestada te ama
e jamais esquecera de ti e muito menos de toda a história que me levou até
vocês,a família que me acolheu, me ensinou, me educou, que tenho e terei até o
fim da vida.
Do primeiro ao último torrão de
terra que puseram em cima de ti, foi um silêncio ensurdecedor, pois todos ali
olhando e pensando no senhor, na sua amizade, na sua traquinagem, até na sua
bebida, eu sei, mas tudo no passado, pois como todos disseram ou pensaram
acabou, fique em paz ou vá em paz. Pai estarei pedindo por ti em minhas orações,
para que encontre a paz necessária a seu espírito e que sua alma tenha de fato
se libertado das dores desta vida, desta encarnação e que siga em paz sem
sofrimentos. Obrigada por tudo o que representou em minha vida.
AMOR E SEXO SE MISTURAM, EM CORPOS SEDENTOS DE DESEJO...
Um
homem e uma mulher se entreolham na cozinha de casa e sem querer se encostam e bum!!!
Acende a faísca do desejo, corpos sedentos de desejo e paixão, num instante
largam tudo e vão atender à seus desejos, ora ocultos, agora explícitos e sem
pensar em nada somente no prazer, se entregam de corpo e alma ao sexo,
atendendo a seus impulsos e seus corpos se entrelaçam, neste momento se fazem
um só na mesma energia, ou melhor trocando energia até chegarem ao êxtase
total, neste momento sublime trocam juras de amor e desejo um pelo outro em um instante
único vivido intensamente de amor e sexo.
Elaine Marcelina
ESPERAR...
Passei o dia esperando alguém, que frustração,
sentimentos e pensamentos mil. Ligo ou não ligo? Será que aconteceu alguma
coisa? E se realmente não deu pra vir? Ou não quis? Estava tudo combinado,
enfim, o dia passou a noite chegou e nada, decidi não ligar, em breve saberei o
que aconteceu, a vontade de ligar é enorme, mas acho que não devo ligar, pode
parecer que estou pressionando e a última coisa que quero é pressioná-lo,
preciso deixá-lo a vontade, mesmo que pra isso não hajam mais encontros, caso
isto aconteça, sentirei falta dos beijos, dos abraços e de tudo mais, porém com
a maturidade chegou o amor livre, aquele que só é possível sentir juntos e
quando os dois querem, não basta somente um querer, e isso serve para os
encontros, tem que ser prazeroso para os dois, tem que ter a vontade de ambos,
seja lá o que for não era pra ser hoje, uma pena, mas entendo perfeitamente os
sinais da vida, os sinais do outro, e se não entendo de imediato, tento
refletir e chegar ao entendimento. Hoje foi um dia de reflexões e o saldo tem
sido muito bom. Sabe às vezes ganhamos muito estando só e principalmente
refletindo sobre nossas ações. Preciso saber controlar o que guardo dentro de
mim, meu coração pulsa de acordo com minhas emoções e como preciso do meu coração,
tenho que controlar minhas emoções, precisam ser mais serenas e assim o farei,
deixarei o acaso decidir o próximo encontro, até para eu entender se é isso
mesmo ou se não passou de mais uma doce ilusão da vida, que teima em me pregar
peças, como se eu estivesse em um grande tablado e fosse coadjuvante de minha
própria história.
Elaine Marcelina
SOLIDÃO
A solidão sufoca,
emudece, enrijece os músculos, dá um nó na garganta, uma vontade de gritar, mas
pra quem? Estar só é conflitante, nos questionamos, pensamos em que tipo de
pessoas somos e porque o vazio nos consome, todas as perguntas ficam sem
respostas. Os questionamentos ganham uma proporção inimaginável. Às vezes tento
dar respostas a minhas perguntas e digo pra mi que estou sozinha porque quero,
é melhor assim, antes só do que mal acompanhada, mais no minuto seguinte, tudo
cai por terra, são respostas prontas, evasivas. A solidão corrói por vezes
estamos acompanhados e ainda assim estamos sós. Hoje por exemplo, não imaginei
estar só e cá estou eu, extravasando na escrita a minha frustração de estar só.
Fiz uma escolha e deu errado, mas amanhã não estarei mais só, minha filha
estará em casa e ocupara meu tempo, a solidão será somente na calada da noite,
na hora de dormir, será mais uma de tantas noites solitárias. Estar só é uma
opção, ser só não, mas de toda forma incomoda, mexe com nosso eu, com o que
temos de mais intimo dentro de nós. A solidão machuca, destrói, por isso
estamos sempre a busca do ser amado, de um flerte, de um carinho, de um beijo,
de algo que pelo menos por alguns instantes, algumas horas, alguns dias, alguns
meses nos faça sentir menos só. Ter alguém para trocar idéias, se possível
beijos, abraços, caricias, desejos e muito mais. A solidão chega sorrateira,
sem se anunciar, quando percebemos, olhamos pro lado e não tem ninguém, somente
ela, num silêncio ensurdecedor, este silêncio é a prova de que estamos sós e
ela se instala sem pedir licença e só nós podemos mandá-la embora, acabar com
ela. Existem formas mil de acabar com a solidão, porém existem momentos na vida
em que não ha nada a fazer se não aceitá-la, ruminá-la e depois de muito
refletir, sair e buscar soluções para que ela não volte mais, embora a solução
que encontrei seja solitária por si só, que é escrever e descrever as sensações
que a vida nos dá, a gente querendo ou não ela ou elas existem e temos que
passar por esta situação também e lá na frente rir de tudo isso e dizer “eu
venci a solidão”, dizendo a “formula” que encontrou para tal feito, no meu caso
escrever, e cada um tem sua receita para sair da solidão.
Elaine Marcelina
LÁGRIMAS
Elas caem não só de tristeza, mas também de alegria,
embora hoje tenham caído de tristeza, angustia, por ter que decidir tudo sempre
só, reviver o passado, vasculhei tudo e descobri que mesmo quando estava
acompanhada eu tomava as decisões, sozinha e hoje não é diferente, quando as
coisas apertam, sinto um enorme nó na garganta, aí não tem jeito elas caem
sobre minha face, uma atrás da outra, milhares de lágrimas, são incontroláveis,
mas depois de chorar bastante vem uma sensação de alívio, porque chorar faz
parte do processo de aprendizagem, de autoconhecimento. As lágrimas só caem se
a emoção for forte, podem ser de alegria ou de tristeza, mas tem que ser algo
marcante, a ponto da emoção aflorar e quando percebemos, elas estão lá, rolando
sem que as tenhamos convocado.
Elaine Marcelina
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